terça-feira, 3 de setembro de 2013

Boa Tarde ! Meu nome é Luciana e minha mãe sofreu um AVC evoluindo para o Hemorrágico. Vou contar aqui como tem sido a vida desde o dia 09/08/2013 e gostaria muito de receber informações, comentários e dicas sobre como conduzir a vida nesse momento tão difícil.
Ela morava com o meu padrasto em Maricá e sempre foi cardiopata o que levou ao AVC. Numa quinta a noite recebi a notícia que ela estava passando mal internada no Hospital Conde Modesto Leal (um hospital sem recursos, que tem pelo menos 3 óbitos por dia e os profissionais são sobrecarregados de trabalho) sai do Rio e corri para lá quando me deparo com minha mãe sem falar e com o lado direito paralisado aguardando para fazer a tomografia e confirmar o AVC, o que foi feito em seguida. Consegui a transferência dela na manhã do dia seguinte e ela deu entrada no hospital Procordis de Niterói. Daí pra frente foram 16 dias de CTI onde o quadro evoluiu para Hemorrágico e uma arritmia sem fim. Os médicos pararam de dar o anticoagulante porque precisavam controlar a arritmia. Foram remédios, cardioversões até que finalmente foi controlado.Nesse meio tempo ela conseguiu falar com grande dificuldade mas o lado direito dela está completamente paralisado.Controlada a arritmia era hora de voltar a dar o anticoagulante só que nesse tempo que não foi dado apareceu novo trombo no coração.Era um momento difícil, talvez o mais difícil porque nós familiares já tínhamos noção do que estava acontecendo...entregamos nas mãos de Deus e dos excelentes médicos do hospital. Tudo deu certo e no dia seguinte ela foi transferida para o quarto, tendo alta 4 dias depois. No momento ela continua com hemiplegia do lado direito, quase sem força na musculatura, a sensibilidade e o equilíbrio estão preservados, uma leve paresia na face direita e a dificuldade tanto na fala quanto na articulação.
É tudo muito novo, são muitas perguntas sem respostas, são sentimentos confusos de revolta e agradecimento, são várias adaptações na rotina de todos e principalmente na minha já que ela está na minha casa.Mas estou muito confiante na sua recuperação.
Vai fazer uma semana que ela está em casa, seu humor não é mais o mesmo, pouco fala e muitas coisas foram esquecidas e são trocadas quando articuladas, a parte motora não vi nenhuma evolução.
Tem feito fonoaudiologia e fisioterapia 3 vezes na semana e como consegui a home care desses profissionais pelo plano vou aumentar as sessões de fisio para 5 vezes na semana e 4 de fono.Consegui duas cuidadoras e a maior dificuldade está em dar banho. Seu INR ainda não está no nível correto o último exame feito no sábado estava 1,83 sendo que tem que está em 2 e 3 e sua pressão voltou a baixar muito.
A vida teve uma reviravolta muito grande, fatores emocionais, financeiros, profissionais e sociais sofrem uma grande modificação e temos que nos virar para administrar tanta coisa.
Li muitas depoimentos nesse blog e serviu para renovar minhas esperanças. O mais difícil do AVC é a incerteza do tempo e da recuperação, lidar com isso é angustiante. A minha cabeça não para, a ansiedade me consome e fico em constante processo de busca pela rápida recuperação, o que tenho certeza que não vai acontecer.
Meu próximo passo é conseguir uma vaga na ABBR um centro de referência em reabilitação aqui no Rio de Janeiro, acho que vai ser bom pra ela conviver com pessoas que tiveram e tem as mesmas dificuldades que ela, isso acredito eu que eleve a auto estima e a força de vontade já que você não se sente tão sozinho.
Vou continuar postando as evoluções e os dia a dia assim faço um diário e posso tentar ajudar da mesma forma que alguns aqui ajudaram.
 Um abraço a todos !!!